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Perícia médica

Exame físico da perícia do INSS: o que o perito vê quando você sobe na maca

"Pode subir na maca, por favor." Parece um pedido simples. Mas, no exame físico da perícia do INSS, esse momento pesa mais do que muita gente imagina. É por isso que a gente repete: se o perito pedir pra subir na maca, tome cuidado. Não é cuidado para fingir nada. É cuidado para não se machucar, não esconder o que você sente e não deixar o exame contar uma história diferente da sua.

Neste artigo, a gente explica o que o perito observa, os erros que mais atrapalham nessa hora e uma coisa que quase ninguém conta: depois da perícia, você pode ler o que o perito escreveu sobre o seu exame.

O exame físico da perícia do INSS começa antes da maca

Muita gente acha que o exame começa quando o perito encosta a mão. Não é bem assim. Ele pode começar no momento em que o seu nome é chamado.

O jeito de levantar da cadeira da recepção, de caminhar até a sala, de sentar, de tirar o casaco ou o sapato. Tudo isso é informação para quem está avaliando incapacidade. Não tem pegadinha nisso. É o que qualquer médico faz: observar como o corpo funciona no movimento comum, sem preparo.

Por isso a regra é uma só: seja você mesmo, do começo ao fim. Do jeito que você é num dia normal.

O que o perito costuma observar

O exame muda conforme a doença. Um problema de coluna pede um tipo de exame. Uma doença psiquiátrica pede outro. Mas, em geral, o perito presta atenção em coisas como:

  • Como você se movimenta — ao andar, sentar, levantar e subir na maca
  • Até onde o movimento vai — dobrar a coluna, levantar o braço, girar o pescoço
  • Força e firmeza — apertar a mão, empurrar, segurar
  • Reação à dor — onde dói, quando dói, o que piora
  • Coerência — se o que ele vê combina com o que você contou e com os seus documentos

Esse último item é o mais importante. O perito não decide só pelo exame. Ele cruza três coisas: o seu relato, o seu corpo e os seus papéis. Quando as três contam a mesma história, a avaliação fica mais clara.

Cuidado número 1: não force além do seu limite

Aqui está o erro mais comum. A pessoa sente dor, mas sobe na maca de uma vez, "pra não fazer feio". Abaixa até o chão porque o perito pediu. Levanta o braço até o fim, mesmo travando.

Resultado: o movimento foi feito, e é isso que pode ficar registrado. A dor que veio depois, em casa, ninguém viu.

Então faça o movimento até onde você consegue de verdade, e pare ali. Se doer, diga. Se não conseguir completar, diga. Você não precisa provar nada se machucando.

E tem outro risco, mais simples: você pode sair da sala machucado. Uma crise provocada no meio do exame não ajuda ninguém, e muito menos você.

Fez cirurgia recente ou tem restrição médica? Se o seu médico proibiu algum esforço — deitar de certa forma, abaixar, carregar peso —, leve isso escrito no relatório e avise o perito antes do movimento, não depois.

Cuidado número 2: não esconda a dificuldade por vergonha

Tem gente que sente vergonha de pedir ajuda. Recusa a mão que o perito oferece, deixa a bengala em casa "pra não parecer pior", sobe rápido para mostrar que ainda dá conta.

Isso é orgulho, e é compreensível. Mas na perícia ele sai caro. Se em casa você precisa de apoio para levantar, precisa dele também na sala do perito.

A regra vale para os dois lados: se você usa bengala, órtese ou colete no dia a dia, leve e use. Se não usa, não leve. O exame tem que mostrar a sua rotina real.

Vale também para a roupa. Vá com algo fácil de tirar e de mexer. Se o perito pedir para tirar o sapato ou levantar a barra da calça, você não perde tempo nem passa aperto.

Exagerar é o erro que derruba tudo

A gente precisa ser direto aqui: o Dr. Perito não ensina ninguém a encenar. E não é só uma questão de honestidade. É que não funciona.

O perito examina gente o dia inteiro. Quando alguém diz que não move o braço e, minutos depois, move para pegar a bolsa, a incoerência fica clara. E aí não se perde só aquele ponto. Perde-se a credibilidade da consulta inteira, inclusive da parte que era verdade.

Quem tem limitação real não precisa aumentar nada. Precisa só não esconder. A gente mostra como descrever isso sem exagero no artigo sobre o que explicar na perícia do INSS.

Fale em voz alta o que você está sentindo

O perito vê o movimento. Ele não sente a sua dor. Se você aguenta calado, a informação se perde.

Durante o exame, fale de forma simples e objetiva:

  • "Aqui dói quando eu dobro."
  • "Esse movimento eu não consigo terminar."
  • "Depois de subir, eu preciso de um tempo para a dor passar."
  • "Em casa, para levantar da cama, eu me apoio na parede."

Não precisa gemer nem fazer drama. Precisa informar. É o que permite ao perito ligar o que ele vê ao que você vive.

Se a dor varia, conte como são os dias ruins

Hérnia de disco, fibromialgia, artrose, enxaqueca, depressão: muita doença tem dia bom e dia ruim. E a perícia pode cair justamente num dia bom.

Se isso acontecer, não diga apenas "hoje estou melhor". Explique a frequência: quantos dias por semana a crise vem, quanto tempo dura, o que você deixa de fazer quando ela vem. E, se possível, leve um documento do seu médico registrando essas crises. Um exame de poucos minutos mostra um dia. O documento mostra o mês.

Um caderno simples também ajuda. Anote, por algumas semanas, os dias de crise e o que você deixou de fazer. Não substitui o documento médico, mas ajuda você a contar sem esquecer nada na hora.

O que o exame rápido não capta, o documento precisa mostrar

O exame físico tem limite. Ele não enxerga a ressonância, a fisioterapia que não resolveu, a cirurgia marcada. É por isso que o papel pesa tanto.

Um bom relatório do seu médico descreve o que você não consegue fazer, e não só o nome da doença. Veja o que ele precisa ter no artigo sobre o laudo médico para a perícia do INSS.

E se a sua perícia foi rápida demais — o perito mal olhou para você, nem pediu para subir na maca —, isso também tem caminho. A gente explica no artigo sobre a perícia do INSS que durou poucos minutos.

Na aposentadoria por incapacidade, você pode levar um médico seu

Pouca gente sabe disso. Quando o pedido é de aposentadoria por incapacidade permanente, a antiga aposentadoria por invalidez, a lei permite que o segurado leve um médico de confiança ao exame.

O que diz a lei: o artigo 42, § 1º, da Lei 8.213/91 diz que, na concessão da aposentadoria por invalidez, o segurado pode, "às suas expensas, fazer-se acompanhar de médico de sua confiança". O Decreto 3.048/99, no artigo 43, § 1º, repete a regra para a aposentadoria por incapacidade permanente. Ou seja: é permitido, mas o custo do médico é seu.

Repare no limite. A lei fala de médico e fala da aposentadoria. Ela não traz a mesma regra para familiar ou amigo, nem para os outros benefícios. Se você precisa de ajuda para se locomover ou se comunicar, avise na chegada e peça ao perito.

Depois da perícia: leia o que o perito escreveu sobre o seu exame

Esta é a parte que quase ninguém conta. O que o perito observou na maca não some. Fica registrado no laudo da perícia. E você pode baixar esse laudo de graça.

Como pedir o laudo do perito: entre no Meu INSS, vá em "Do que você precisa?", busque "Laudo médico", escolha o benefício e baixe o documento. Segundo a página oficial do serviço, ele é gerado automaticamente, o prazo máximo é de 48 horas e não tem custo. Se o sistema estiver fora do ar, o 135 atende de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília).

Leia com calma, de preferência com alguém da família. Procure a parte do exame físico: é ali que costuma aparecer o que foi testado e o que o perito concluiu. Anote o que não aconteceu do jeito que está escrito, enquanto a lembrança ainda está fresca.

Ler o laudo é o que mostra se o exame contou a sua história. Se está escrito que você fez todos os movimentos sem dor, e não foi isso que aconteceu, esse é o ponto que precisa ser contestado.

Saiu negado? O prazo para recorrer é de 30 dias

Pelo Decreto 3.048/99 (artigo 305, § 1º, inciso II), o prazo do recurso administrativo é de 30 dias, contados da ciência da decisão. Não deixe para a última semana.

Um bom recurso não diz só "eu discordo". Ele aponta o que o laudo do perito registrou e mostra, com documento, onde isso não bate com a sua realidade. O passo a passo está no artigo sobre como recorrer quando o INSS nega.

Como a Confia Prev ajuda

A gente não vai à perícia com você e não influencia a decisão do perito. Ninguém pode. O nosso trabalho é antes e depois: organizar a sua documentação médica para que ela mostre a limitação e, se vier negativa, ler o laudo do perito com você e montar o recurso administrativo apontando as contradições.

Se o caso precisar ir para a Justiça, a gente encaminha ao advogado da sua confiança.

Se quiser estudar o assunto com calma, conheça o Guia da Perícia do INSS, e-book do Dr. Perito.

Dr. Perito
Dr. Perito · Confia Prev

Despachante documentalista especializado em serviços previdenciários. Cuida da documentação e do administrativo. Não substitui advogado.

Vai passar pela perícia e não sabe se seus documentos contam a sua história?

A gente organiza a sua documentação médica e, se vier negativa, lê o laudo do perito com você. A análise inicial é gratuita.

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Perguntas frequentes

Não. O exame físico muda conforme a doença. Em problema de coluna ou articulação é comum o perito pedir movimentos e usar a maca. Em outros casos, como doenças psiquiátricas, o exame se apoia mais na conversa e na observação.

Você pode dizer que não consegue e explicar por quê. Faça o movimento até onde aguenta de verdade e pare. O importante é ficar claro o motivo. Se o seu médico proibiu algum esforço, leve isso por escrito e avise antes.

Não. Nenhum movimento garante nada. O perito avalia o conjunto: o que ele observa, o que você conta e o que os seus documentos mostram. A decisão é sempre do órgão.

Se você usa no dia a dia, leve e use. Se não usa, não leve. O perito compara o que vê com o resto do exame e com os seus documentos, e uma incoerência pesa contra você.

Pode observar. O exame físico não começa só na maca. O jeito de levantar, caminhar, sentar e tirar o sapato também é informação. Por isso, aja como você age num dia normal, do começo ao fim.

Explique como são os dias ruins: com que frequência a crise vem, quanto tempo dura e o que você deixa de fazer. Se possível, leve um documento do seu médico registrando essas crises.

Na concessão da aposentadoria por incapacidade permanente, sim. O artigo 42, parágrafo 1º, da Lei 8.213/91 e o artigo 43, parágrafo 1º, do Decreto 3.048/99 permitem que o segurado seja acompanhado por médico de sua confiança, pagando por conta própria.

A Lei 8.213/91 só traz regra expressa para o médico de confiança, na aposentadoria por incapacidade. Se você precisa de ajuda para se locomover ou se comunicar, avise na chegada e peça ao perito.

Pelo Meu INSS. Em Do que você precisa, busque Laudo médico, escolha o benefício e baixe o documento. Pela página oficial do serviço, o prazo é de até 48 horas e é gratuito.

Esse é o ponto do recurso administrativo. O prazo é de 30 dias, contados da ciência da decisão, pelo artigo 305 do Decreto 3.048/99. O recurso precisa mostrar, com documento, onde o laudo não confere com a sua realidade.

Não do mesmo jeito, porque não há contato presencial nem maca. Para a aposentadoria por incapacidade, o artigo 42 da Lei 8.213/91 já prevê exame por telemedicina ou por análise documental, conforme o regulamento. Sem o exame presencial, a sua documentação médica pesa ainda mais.

Sim. O artigo 101 da Lei 8.213/91 obriga quem recebe auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente ou aposentadoria por incapacidade permanente a se submeter a exame médico, sob pena de suspensão do benefício.

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